GUI LOUREIRO Qual é seu teto?
IA & Martech

IA para eventos e viagens corporativas: por que o setor que mais cresce ainda opera aos pedaços

Gui Loureiro
por Gui Loureiro7 min de leitura·
IA para eventos e viagens corporativas: por que o setor que mais cresce ainda opera aos pedaços
BLUF Resposta direta

A economia dos encontros (eventos + viagens corporativas) é um dos setores que mais cresce no mundo: US$ 1,3 trilhão em eventos em 2025, US$ 1,71 trilhão em viagens em 2026. A maioria dos planejadores já testou IA generativa, mas só uma fração pequena diz que isso melhorou de fato o resultado. O problema não é falta de ferramenta, é falta de sistema. IA aos pedaços, sem arquitetura, não compõe.

Que tamanho tem esse mercado, de verdade?

Antes de falar de IA, vale entender o que está em jogo. O setor de eventos corporativos gerou US$ 1,3 trilhão em gastos diretos em 2025, reunindo 1,65 bilhão de participantes globalmente, segundo o estudo do Events Industry Council com a Oxford Economics. Contando efeitos diretos, indiretos e induzidos, o impacto total chega a US$ 3,1 trilhões em vendas, US$ 1,8 trilhão em PIB e 24,2 milhões de empregos.

Do lado das viagens, a GBTA projeta que o gasto global com viagens corporativas chegue a US$ 1,71 trilhão em 2026, alta de 7,2%, com 1,84 bilhão de viagens de negócios no ano. Não é um nicho, é uma das engrenagens mais graúdas da economia global. E ela ainda depende de gente se encontrando pessoalmente.

Esse é o pano de fundo que muda a pergunta. Não é "vale a pena investir em IA nesse setor". É "por que um setor desse tamanho, com esse volume de dados e repetição, ainda opera manualmente na maior parte das decisões".

Como o setor está usando IA, então?

De forma fragmentada. Essa é a palavra certa, não "incipiente". O uso já é massivo, o problema é a arquitetura.

O Cvent/Northstar PULSE Survey, feito com mais de mil planejadores de eventos, encontrou que 65% já usa IA generativa no trabalho. Mas só 16% diz que ela melhorou de fato o planejamento e a execução. Esse intervalo entre uso e resultado é o gap que interessa: não é falta de adoção, é adoção sem sistema por trás.

Líder estratégico
Quem usa IA integrada a um sistema de dados e processo, não como ferramenta pontual. É a diferença entre testar um chatbot e ter uma operação inteira que aprende com cada evento.

Do lado de viagens, a pesquisa da GBTA com Spotnana, Marriott e Direct Travel, de março de 2026, encontrou que 58% dos compradores corporativos dizem que a IA teve pouco ou nenhum impacto em seus programas até agora. Ao mesmo tempo, o interesse em casos de uso específicos é alto: 92% quer previsão de gastos com viagem, 89% quer gestão automatizada de disrupções e reagendamento, 85% quer suporte ao viajante via IA.

65%
dos planejadores de eventos já usam IA generativa, mas só 16% diz que ela melhorou de fato o planejamento e a execução.
Cvent/Northstar PULSE Survey

Interesse alto, impacto baixo. Esse descompasso é o diagnóstico do setor inteiro.

Por que a IA não engrena na minha operação?

Porque falta o que sustenta a ferramenta: dado consolidado e processo desenhado em torno dele.

A mesma pesquisa GBTA identificou fragmentação estrutural de dados: 61% dos compradores acham difícil gerenciar viagens entre regiões diferentes e só 12% tem visão consolidada dos dados do programa. Isso significa que a maioria roda decisão de viagem corporativa com dado espalhado em planilha, sistema legado e memória de quem faz há mais tempo.

IA generativa não conserta dado fragmentado. Ela amplifica o que já existe. Se a base é uma colcha de retalhos, o output também vai ser.

Ferramenta de IA sem sistema por trás não é atalho. É só um jeito mais rápido de errar.
Gui LoureiroGui Loureiro

O Event Tech Live perguntou direto quais são as barreiras e a resposta bate com essa leitura: treinar equipe (30%) e custo (25%) são os maiores obstáculos apontados por quem já usa IA em eventos. Não é rejeição à tecnologia, é falta de gente e processo pra sustentar o uso além do teste inicial. E mesmo assim, 65% dessas empresas planeja aumentar o uso nos próximos dois anos: ninguém está desistindo, só ninguém achou o caminho ainda.

Como usar IA numa agência de eventos ou viagens corporativas, na prática?

Comece pelo que já existe, não pela ferramenta nova. Numa agência de viagens corporativas de médio porte, o primeiro gargalo raramente é falta de IA. É dado de reserva, histórico de cliente e preferência de viajante espalhados em três sistemas que não conversam.

Por onde começar de fato

Sequência que evita o erro mais comum: comprar ferramenta antes de organizar a base

  1. Mapear onde o dado mora hojeReservas, preferências de cliente, histórico de eventos, tudo espalhado? Antes de qualquer IA, esse mapa precisa existir.
  2. Escolher um processo repetitivo e de alto volumeReagendamento de voo, follow-up pós-evento, cotação de fornecedor. Algo que se repete centenas de vezes por mês é onde IA rende mais rápido.
  3. Testar com sistema, não com ferramenta isoladaConectar a IA ao dado real da operação, não a um teste genérico desconectado do fluxo.
  4. Medir o que muda no resultado, não no uso65% usa IA generativa e só 16% vê melhora real. A métrica certa é impacto na operação, não frequência de uso.
  5. Expandir só depois que o primeiro caso funcionaEscalar antes de validar é o jeito mais comum de acumular ferramentas soltas sem sistema.

Essa sequência é chata de propósito. O setor não sofre de falta de ambição em IA, sofre de excesso de ferramenta solta sem arquitetura por trás. Resolver isso não é sexy, mas é o que separa quem vê impacto real de quem só engorda estatística de adoção.

O que muda pra quem trabalha nesse setor, e pra quem contrata?

Pra quem trabalha na ponta (planejador de evento, gestor de viagem corporativa, agente), a idade e a experiência acumulada continuam sendo ativo. Quem já viu cem eventos sabe onde o processo quebra antes de a IA apontar. Isso é dado que não está em nenhuma planilha.

Pra empresa, o fosso não é ter IA. É ter sistema, dado organizado e cultura que sustente o uso além do experimento isolado. As mesmas pesquisas mostram isso sem meio-termo: quem tem visão consolidada de dado (os tais 12%) está numa posição bem diferente de quem não tem.

O filtro pra qualquer investimento em IA nesse setor devia ser simples: isso deixa a operação com um sistema que compõe, ou é mais um pedaço solto que vira estatística de "uso sem impacto" na próxima pesquisa?

IA fragmentada x IA com sistema
CritérioUso fragmentado (maioria do setor)Uso estratégico (minoria do setor)
DadoEspalhado em sistemas que não conversamConsolidado, com visão única do programa
FerramentaTestada isoladamente, por áreaIntegrada ao fluxo de trabalho real
Resultado medidoFrequência de usoImpacto em custo, tempo ou taxa de erro
VereditoGera número de adoção bonito, resultado real raroÉ onde o crescimento do setor se converte em vantagem

Dúvidas sobre ia para eventos e viagens corporativas: por que o

10 perguntas
Comece mapeando onde o dado da operação está hoje (reservas, histórico de cliente, fornecedores) antes de comprar ferramenta. Escolha um processo repetitivo de alto volume, teste IA conectada a esse dado real, meça impacto no resultado e só então expanda para outras áreas.
Pelo dado consolidado. A pesquisa GBTA mostra que só 12% dos compradores corporativos têm visão única do programa de viagens. Resolver a fragmentação de dados vem antes de qualquer ferramenta de IA gerar resultado consistente.
Porque IA amplifica o que já existe na base de dados. Se a informação está espalhada em sistemas que não conversam, a ferramenta reproduz esse caos mais rápido. O gargalo raramente é a tecnologia, é ausência de sistema e processo por trás dela.
US$ 1,3 trilhão em gastos diretos em 2025, com 1,65 bilhão de participantes, segundo o Events Industry Council e a Oxford Economics. Contando efeitos indiretos e induzidos, o impacto total chega a US$ 1,8 trilhão em PIB e 24,2 milhões de empregos globais.
Crescendo, e rápido. A GBTA projeta US$ 1,71 trilhão em gastos globais com viagens corporativas em 2026, alta de 7,2% sobre o ano anterior, com 1,84 bilhão de viagens de negócios previstas.
65%, segundo o Cvent/Northstar PULSE Survey, feito com mais de mil planejadores. Mas só 16% desse grupo diz que a IA melhorou de fato o planejamento e a execução, o que mostra que uso alto não garante resultado.
Segundo o Event Tech Live, treinar a equipe (30%) e custo (25%) lideram como barreiras entre quem já usa IA no setor. Ainda assim, 65% dessas empresas planeja aumentar o uso nos próximos dois anos.
Depende de como é usada. O Cvent/Northstar PULSE Survey mostra que 65% dos planejadores usa IA generativa, mas só 16% diz que ela melhorou de fato o planejamento e a execução. O gap está na falta de sistema, não na ferramenta em si.
Pouco ainda. A pesquisa GBTA de março de 2026 encontrou que 58% dos compradores corporativos dizem que a IA teve pouco ou nenhum impacto em seus programas até agora, mesmo com interesse alto em casos de uso específicos.
Porque a IA aprende e atua sobre a base que recebe. Com dado espalhado em sistemas que não conversam, qualquer ferramenta reproduz esse caos mais rápido. Consolidar o dado é pré-requisito, não etapa opcional depois da implementação.
Seguindo a Manada

Quer ler isso antes de virar consenso?

A cada quinze dias, um e-mail com o que está mudando no marketing enquanto ainda dá vantagem saber.

Assinar a Manada

Continue no tema