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Economia dos Encontros

Turistando.AI por dentro: o que um produto próprio no setor ensina sobre atendimento com IA

Gui Loureiro
por Gui Loureiro7 min de leitura·
Turistando.AI por dentro: o que um produto próprio no setor ensina sobre atendimento com IA
BLUF Resposta direta

Turistando.AI é o produto que construímos dentro de uma operação real de viagens pra testar, na prática, onde IA resolve atendimento e onde só maquia um problema de sistema. A resposta curta: funciona quando substitui tarefa repetitiva com dado estruturado atrás, e falha quando tenta compensar processo bagunçado. O mercado confirma o padrão: 90% dos gestores corporativos já implementaram IA, mas a maioria esbarra em fragmentação de sistemas, não em falta de tecnologia.

O que é um "produto de IA pra agência de viagem", na prática?

Não é um chatbot solto respondendo "qual sua data de ida" no WhatsApp. Isso qualquer ferramenta genérica faz, e mal.

Um produto de IA pra agência de viagem de verdade precisa resolver três coisas ao mesmo tempo: entender o pedido em linguagem natural, cruzar isso com os sistemas de reserva e política da empresa, e devolver uma resposta que o agente humano só precisa validar, não reescrever. É integração antes de inteligência.

O Turistando.AI nasceu dessa constatação. Construímos dentro de uma operação real pra testar exatamente isso: onde a IA tira trabalho repetitivo do time, e onde ela empurra o problema pra frente porque o sistema por trás está fragmentado.

Fragmentação de sistemas
Quando uma agência opera com múltiplas plataformas de reserva, GDS e ferramentas que não conversam entre si. Pesquisa da Sabre apresentada na GBTA 2025 mostrou que mais de 91% das agências operam com 4 ou mais sistemas de reservas, e mais de 50% gerencia 7 ou mais.

Esse dado explica muita frustração com IA no setor. A ferramenta até entende a pergunta do cliente, mas não acha a resposta porque a informação está espalhada em sete lugares diferentes que não trocam dado entre si.

IA no atendimento de viagem corporativa funciona?

Funciona, com ressalva grande. O relatório *2025 State of AI in Corporate Travel*, da Sabre em parceria com a Serko, ouviu 300 gestores de viagens corporativas nos EUA em empresas com receita acima de US$ 50 milhões, em dezembro de 2024. O resultado: 90% já implementaram IA ou IA generativa de alguma forma.

Mas adoção não é sucesso. Do mesmo estudo, via PhocusWire: 52% disseram que as ferramentas de IA superaram expectativas, e 92% disseram que pelo menos atenderam. Isso deixa quase 1 em cada 10 gestor decepcionado, mesmo depois de implementar.

A pesquisa da GBTA 2025 junta as duas pontas: 91% das agências acreditam que IA pode melhorar produtividade e experiência do cliente, mas 41% seguem preocupados com as implicações de longo prazo pra força de trabalho. O otimismo é real. A ansiedade também.

90%
dos gestores de viagens corporativas já implementaram IA ou IA generativa, segundo o relatório Sabre-Serko de dezembro de 2024.
PanRotas / Sabre-Serko

O padrão que vemos construindo o Turistando.AI bate com isso: a IA entrega quando o processo já era claro antes dela chegar. Ela não inventa clareza onde não havia.

Exemplo real de IA no setor: o que já funciona em produção

Dois casos documentados mostram onde a coisa pega tração.

A Destinando Viagens, agência brasileira de pacotes e cruzeiros, implementou agentes de IA da Blis AI focados em fechamento de vendas. Segundo a empresa, a automação cobriu cerca de 70% dos processos de atendimento ligados ao fechamento, com crescimento de 30% nas vendas, e NPS em alta depois da implementação.

A Decolar, com sua assistente SOFIA, reporta o mesmo tipo de ganho em escala maior: segundo a empresa, o NPS das interações via SOFIA é superior ao dos canais tradicionais, e o tempo de resolução caiu de forma significativa.

IA que funciona em viagem não substitui o agente, ela devolve pro agente o tempo que ele perdia copiando dado de um sistema pro outro.
Gui LoureiroGui Loureiro

O ponto comum entre os dois casos: a IA entrou numa etapa específica e mensurável do funil (fechamento, resolução de dúvida), não como substituta genérica do atendimento inteiro. Foi assim que desenhamos o Turistando.AI também: não "automatizar o atendimento", mas automatizar a parte dele que já tinha padrão repetível.

→ Onde começar com IA no atendimento

A ordem que evita o erro mais comum

  1. Mapear o repetitivoListe as 5 perguntas que o time responde todo dia sem pensar. É aí que a IA entra primeiro.
  2. Arrumar o dado antesSe a informação está espalhada em 7 sistemas, resolve isso antes de plugar IA em cima.
  3. Medir o que já existiaNPS, tempo de resposta, taxa de conversão. Sem baseline, você não sabe se a IA ajudou.
  4. Soltar em uma etapa sóFechamento, ou triagem, ou follow-up. Nunca o atendimento inteiro de uma vez.

IA no atendimento substitui o agente de viagem?

Não, pelo menos não no que vimos até agora, nem no corporativo nem no lazer. O que ela substitui é a parte burocrática: cruzar política de viagem, achar tarifa, repetir resposta padrão.

O viajante também já topa isso. Dado citado pela Skift mostra que 76% dos viajantes afirmam confiar em IA para tarefas simples relacionadas a viagem e despesas, contra 59% em 2023. A confiança cresceu rápido, mas é confiança pra tarefa simples, não pra decisão complexa.

+ O que fazer
  • Automatizar triagem e perguntas repetitivas
  • Medir NPS antes e depois, não só "implementamos IA"
  • Integrar com o sistema de reserva existente, não do lado dele
− O que evitar
  • Trocar o atendimento inteiro de uma vez
  • Prometer "IA resolve tudo" sem mapear o processo antes
  • Ignorar a fragmentação de sistemas achando que a IA "resolve por cima"

Essa é a linha entre empresa que vira superempresa com IA e empresa que só comprou uma ferramenta cara. A diferença não é ter o chatbot, é ter o dado organizado atrás dele.

Vale a pena construir um produto próprio ou usar ferramenta pronta?

Depende do tamanho da operação e de quanto o atendimento já é um diferencial competitivo pra ela.

⊞ Produto próprio vs. ferramenta pronta
CritérioProduto próprio (tipo Turistando.AI)Ferramenta de mercado
Tempo pra rodarSemanas a meses, depende de integraçãoDias, plug-and-play
Controle sobre o dadoTotal, treina em cima da própria operaçãoLimitado ao que o fornecedor expõe
Custo inicialMais alto, exige time técnicoMais baixo, modelo de assinatura
Encaixe na fragmentação de sistemasPode ser desenhado pra conversar com os sistemas existentesGeralmente exige adaptar o processo à ferramenta
VereditoFaz sentido quando atendimento é vantagem competitiva central e a operação tem escala pra justificarFaz sentido pra maioria das agências pequenas e médias, começando por um recorte específico

Construir o Turistando.AI só fez sentido porque atendimento é o centro da proposta da operação em que ele nasceu. Pra agência que vende atendimento como commodity, o caminho mais curto costuma ser uma ferramenta pronta bem configurada, aplicada só na etapa que já tem padrão repetível. O erro é esperar que ela resolva o resto do processo sozinha.

Dúvidas sobre turistando.ai por dentro: o que um produto próprio

9 perguntas
É um produto de IA para atendimento construído dentro de uma operação real de viagens, pensado para automatizar etapas repetitivas do atendimento (triagem, fechamento, respostas padrão) integrado aos sistemas de reserva já usados pela operação.
Não, nos casos documentados até agora. Ele substitui tarefas repetitivas e burocráticas (cruzar tarifa, checar política, responder dúvida padrão), liberando o agente para a parte de relacionamento e decisão complexa do atendimento.
Funciona, mas com ressalva. Segundo o relatório Sabre-Serko de dezembro de 2024, 90% dos gestores corporativos já implementaram IA, e 92% dizem que as ferramentas pelo menos atenderam às expectativas. O risco maior é a fragmentação de sistemas por trás da IA.
Tentar automatizar o atendimento inteiro de uma vez, sem mapear antes qual parte do processo já tem padrão repetível. A pesquisa GBTA 2025 mostra que mais de 91% das agências lidam com 4 ou mais sistemas de reservas desconectados, o que trava qualquer IA colocada em cima sem ajuste.
Sim. A Destinando Viagens implementou agentes de IA da Blis AI e reporta ter automatizado cerca de 70% dos processos de fechamento, com 30% de crescimento em vendas e melhora no NPS, segundo a própria empresa.
A Decolar usa a assistente SOFIA e reporta, segundo a empresa, NPS superior ao dos canais tradicionais e redução significativa no tempo de resolução das interações de atendimento.
A confiança cresceu. Dado citado pela Skift mostra 76% dos viajantes confiando em IA para tarefas simples de viagem e despesas, ante 59% em 2023. Para decisões complexas, a confiança ainda é menor.
Depende da escala e de quanto o atendimento é diferencial competitivo. Produto próprio exige mais tempo e investimento, mas dá controle total sobre o dado. Ferramenta pronta resolve rápido um recorte específico do atendimento, sem exigir time técnico interno.
Fragmentação tecnológica. Pesquisa da Sabre na GBTA 2025 aponta que mais de 50% das agências operam com 7 sistemas de reservas ou mais, o que compromete produtividade e a eficácia de qualquer IA implementada por cima dessa bagunça.
Fontes
WPB 2026

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